Três obras grandiosas, do escritor João Guimarães Rosa, merecem ser comemoradas em 2026: Sagarana, em seus 80 anos, Corpo de Baile e Grande Sertão: veredas em seus 70 anos. Tão longo período não esgotou as leituras possíveis desses universos ficcionais. Muito ao contrário. Seu encantamento e complexidade continuam um campo aberto a ser desbravado por leitores e leitoras no Brasil e no exterior.
Sagarana, livro de estreia, trazia narrativas longas que logo cativaram os críticos e o público de sua época, fascinados pela linguagem, tão vigorosa quanto a natureza exuberante e viva de Minas Gerais. Mergulhados nela, personagens vivem enredos atravessados pela violência de um Brasil sem lei, ainda cativo de relações coloniais e patriarcais, mas aberto a uma infinidade de acasos, desencontros, vivências que beiram as sagas e lendas de um tempo remoto, narrado por um contador arcaico e moderno, apaixonado pela sua gente que vive às margens da civilização.
Com esse evento, pretende-se comemorar a atualidade de ambas as obras, que dialogam entre si e com outras áreas do saber. Já se sabe que "viagem" e "travessia" formam o escopo da matéria narrativa de Rosa. Os deslocamentos constantes pelo sertão, atravessando limiares e fronteiras - da linguagem, da razão, da vida social, da política, das identidades - constituem temáticas nucleares do autor.
O objetivo é construir uma enorme rede de pesquisadores(as) nacionais e estrangeiros(as), com abordagens críticas distintas, mas unidos(as) em torno de obras que surpreenderam, pela inventividade e genialidade do escritor e continuam interpelando a crítica contemporânea.