SAGAS, VEREDAS E CAMPOS GERAIS

80 ANOS DE SAGARANA E 70 ANOS DE CORPO DE BAILE E GRANDE SERTÃO: VEREDAS, DE GUIMARÃES ROSA

SOBRE

Três obras grandiosas, do escritor João Guimarães Rosa, merecem ser comemoradas em 2026: Sagarana, em seus 80 anos, Corpo de Baile e Grande Sertão: veredas em seus 70 anos. Tão longo período não esgotou as leituras possíveis desses universos ficcionais. Muito ao contrário. Seu encantamento e complexidade continuam um campo aberto a ser desbravado por leitores e leitoras no Brasil e no exterior.

Sagarana, livro de estreia, trazia narrativas longas que logo cativaram os críticos e o público de sua época, fascinados pela linguagem, tão vigorosa quanto a natureza exuberante e viva de Minas Gerais. Mergulhados nela, personagens vivem enredos atravessados pela violência de um Brasil sem lei, ainda cativo de relações coloniais e patriarcais, mas aberto a uma infinidade de acasos, desencontros, vivências que beiram as sagas e lendas de um tempo remoto, narrado por um contador arcaico e moderno, apaixonado pela sua gente que vive às margens da civilização.

Com esse evento, pretende-se comemorar a atualidade de ambas as obras, que dialogam entre si e com outras áreas do saber. Já se sabe que "viagem" e "travessia" formam o escopo da matéria narrativa de Rosa. Os deslocamentos constantes pelo sertão, atravessando limiares e fronteiras - da linguagem, da razão, da vida social, da política, das identidades - constituem temáticas nucleares do autor.

O objetivo é construir uma enorme rede de pesquisadores(as) nacionais e estrangeiros(as), com abordagens críticas distintas, mas unidos(as) em torno de obras que surpreenderam, pela inventividade e genialidade do escritor e continuam interpelando a crítica contemporânea.

SAGARANA, livro de estreia, trazia narrativas longas que logo cativaram os críticos e o público de sua época, fascinados pela linguagem, tão vigorosa quanto a natureza exuberante e viva de Minas Gerais. A sua primeira edição foi publicada em 1946, pela editora Universal, com capa de Geraldo de Castro. Em 1956, surge a estética mais marcante do livro, elaborada pelo artista plástico e gravurista Poty Lazzarotto para a editora José Olympio. Nas estórias que integram o livro, personagens vivem enredos atravessados pela violência de um Brasil sem lei, ainda cativo de relações coloniais e patriarcais, mas aberto a uma infinidade de acasos, desencontros, vivências que beiram as sagas e lendas de um tempo remoto.

CORPO DE BAILE foi lançado em fevereiro de 1956, em dois significativos volumes, que, juntos, somam 822 páginas. As capas também foram criadas por Poty Lazzarotto. A segunda edição da obra foi unificada em um único livro e, nas seguintes, foi dividido pelo autor em três livros menores: 1) Manuelzão e Miguilim (incluindo Campo Geral e Uma história de Amor; 2) No Urubuquaquá do Pinhém (com Recado do Morro, Cara-de-bronze e Estória de Lélio e Lina); 3) Noites do sertão (reunindo Dão-Lalalão e Buriti). Todos eles, enraizados nos Campos Gerais do estado de Minas, trançam, em sua secreta coreografia, os mistérios da música, do mito, do sagrado, do erotismo, da poesia. Buscam, enfim, “o quem das coisas”.

GRANDE SERTÃO: VEREDAS é o único romance escrito por Guimarães Rosa. Lançado em julho de 1956, tem projeto gráfico e capa assinados por Poty Lazzarotto, que, na edição de 1958 desenha, sob orientação do escritor, os mapas que integram as orelhas do livro. O romance teria sido a oitava novela de Corpo de baile, mas ganhou a estatura de obra única. Sua imensa e inesgotável fortuna crítica atesta a singular magnitude que alcançou na historiografia da literatura brasileira. Pelo encontro do narrador, um ex-jagunço semiletrado, com um doutor da cidade que anota suas memórias de amor e guerra, jorra uma escrita fluvial densa, vasta e fascinante. O rio ininterrupto das palavras percorre o mundo sem lei do sertão, trazendo camadas da formação histórica do Brasil, do gênero romanesco e dos gêneros sexuais.

24
09
09h30

FALA DE ABERTURA OFICIAL

Gustavo De Castro (Grupo Siruiz), Leandro Bessa (UCB) e representantes das instituições parceiras

MemoUnB - SG-10
10h - 11h30

MESA DE ABERTURA (HÍBRIDA)

Guimarães Rosa: um diálogo difícil

Conversa com Milton Hatoum e Yudith Rosenbaum (USP)

MemoUnB - SG-10
14h - 15h30

MESA 01 RIOS DA MEMÓRIA

Mediação: Ana Saggese

Yudith Rosenbaum (USP): Dois silêncios: o riacho seco de "Uma estória de amor" e o rio sem fundo em "A terceira margem do rio"
Cleusa Rios P. Passos (USP): No giro da memória em "Grande Sertão: veredas"

MemoUnB - SG-10
16h - 17h30

MESA 02 AMORES, AURORAS E ECOS GREGOS EM GUIMARÃES ROSA

Mediação: Rhaysa Novakoski

Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa (UFMG): Lêmures em "Conversa de bois"
Kathrin Rosenfield (UFRGS): O "Grande Sertão" dos afetos e amores rosianos

MemoUnB - SG-10
19h - 22h

PROJEÇÃO DO FILME "O Diabo na rua no meio do redemunho"

Mediação: Pablo Gonçalo (em parceria com o Cine Beijoca)

Conversa com Bia Lessa (realizadora): Cinema e transcriação a partir da obra de Guimarães Rosa

CINE BRASÍLIA
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09h - 10h30

MESA 03 REMANSO DE RIO LARGO, VIOLA DA SOLIDÃO

Mediação: Cristina Gomide

Clara Rowland (Nova de Lisboa): Releitura e fantasmas.
Monica Gama (UFOP): De vaqueiros e boiadas: a movência de um tema na obra de Guimarães Rosa

MemoUnB - SG-10
11h - 12h30

MESA 04 ADAPTAÇÃO: DO CINEMA AOS QUADRINHOS

Mediação: Mariana Keller

Ciro Inácio Marcondes (UCB): "A Hora e Vez de Augusto Matraga": versões audiovisuais a partir do Faroeste, da cultura Pulp e do Cinema Novo
Eloar Guazzelli: Nonada: Travessias

MemoUnB - SG-10
14h - 15h30

MESA 05 GUIMARÃES ROSA: BIOGRAFIA, POLÍTICA E JORNALISMO

Mediação: Pamela Zacharias

Andrea Jubé (UnB): João Guimarães Rosa: um perfil político
Gustavo de Castro (UnB): Biografia de um pensador complexo

MemoUnB - SG-10
EXPOSIÇÃO ARTÍSTICA | 24/09 A 08/10

NONADA: TRAVESSIAS

MemoUnB - SG-10

No nada: Travessias traz para o público o processo gráfico de roteirização da adaptação de Grande sertão: veredas (1956) para os quadrinhos. Realizada em 2014, por Eloar Guazzelli Filho (roteiro) e Rodrigo Rosa (desenho), o que era esboço acaba de ser alçado a trabalho final.

Concebido, originalmente, como uma indicação para o desenhista, o roteiro gráfico torna-se uma terceira obra, com plenos direitos estéticos. O espectador poderá ver toda a dor e delícia de transpor um clássico da literatura para uma linguagem visual, com critério e respeito, mas sem nunca perder a inventividade, marca de Guazzelli.

O que seria considerado mal acabado e deixado de lado, no passado, passa a ocupar lugar privilegiado, à luz das vanguardas do século XX. A exibição virtuosística do traço dá lugar a um valor essencial da forma, que é investida de dramaticidade. O resultado é uma rede de sentidos plurívocos bem ao gosto de Guimarães Rosa.

O gesto livre e o traço solto, um marco na trajetória do artista, deixa ver o passo a passo, ou, quadro a quadro, dessas travessias do nada ao infinito.

OFICINAS

18/09 9h - 12h

OFICINA 01: DESIGN EDITORIAL E PENSAMENTO GRÁFICO EM GUIMARÃES ROSA

RHAYSA NOVAKOSKI

A oficina tem como objetivo apresentar a obra de João Guimarães Rosa numa perspectiva que une design, ilustração e narrativa na construção literária.

UCB - SALA K006
21/09 14h - 17h

Oficina 02: Animação com ferramentas de IA a partir de roteiros literários

fernando gutierrez

Propõe uma imersão prática nos processos de criação de animação a partir de roteiros literários, explorando metodologias contemporâneas como Design Thinking e prototipação rápida para transformar texto em narrativa visual. Os participantes serão conduzidos à experimentação de técnicas híbridas, incluindo o uso de ferramentas digitais e recursos de inteligência artificial aplicados à animação, fomentando a inovação nos modos de produção audiovisual. Realizado em ambiente colaborativo, com dinâmicas de brainstorming e co-criação.

UCB - Laboratório K212
22/09 09h - 12h

Oficina 03: Flipbook: Introdução aos princípios da animação

Adriana Pinto

Os participantes terão uma introdução aos princípios da animação por meio da criação de flipbooks. De forma prática e acessível, a atividade apresenta alguns dos principais fundamentos da linguagem animada, explorando como uma sequência de desenhos cria a ilusão do movimento. Ao longo da oficina, cada participante desenvolve seu próprio flipbook, vivenciando uma das técnicas que deram origem ao cinema de animação e compreendendo, na prática, as bases da animação tradicional.

UCB - SALA K006
23/09 14h - 17h

Oficina 04: Do texto ao traço: o processo criativo de adaptação da literatura para a novela gráfica

eloar guazzelli

Nesta oficina, vamos falar sobre o processo de adaptação literária para os quadrinhos. Um processo que começa na leitura de um texto. Tomando como base a prática em adaptações como Grande sertão: veredas (Guimarães Rosa); Amar, verbo intransitivo (Mário de Andrade); Vidas secas (Graciliano Ramos) e outros, Guazzelli vai falar como construir territórios gráficos, traçar a cartografia da estória, construir uma linha do tempo e sentir-se personagem. Assim como formas de encontrar imagens icásticas e saber buscar o essencial no texto, um universo em que tudo é importante.

Colabid (sala K026)

As inscrições para todas as oficinas são feitas em um formulário único.

EM BREVE

LOCAIS

UCB

UCB | Laboratórios de Ideias e Criação para as Oficinas

O COLABID e a Sala K006 são laboratórios dos cursos de Comunicação e Design da UCB, concebidos para o desenvolvimento de atividades hands-on, experimentais e colaborativas. Os espaços oferecem infraestrutura adequada para dinâmicas de ideação, criação e prototipação, favorecendo processos criativos, práticas interdisciplinares e o desenvolvimento das oficinas.

MemoUnB

MEMOUNB | SG-10

O MemoUnB, ou Espaço da Memória da Universidade de Brasília (MemoUnB), foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, construído entre 1962 e 1963 para abrigar o Centro de Planejamento da UnB (Ceplan). É considerado local de preservação da memória material e imaterial relacionada ao arquiteto e à capital brasileira.

Cine Brasília

CINE BRASÍLIA

O Cine Brasília é um centro cultural histórico, inaugurado em 22 de abril de 1960, um dia após a fundação de Brasília. Projetado por Oscar Niemeyer, é um dos poucos cinemas de rua ainda em funcionamento no país e um dos mais importantes espaços de exibição cinematográfica da América Latina, reconhecido em 1987 como Patrimônio Mundial da Humanidade.

ORGANIZAÇÃO

SAGAS, VEREDAS E CAMPOS GERAIS: 80 ANOS DE SAGARANA E 70 ANOS DE CORPO DE BAILE E GRANDE SERTÃO: VEREDAS, DE GUIMARÃES ROSA
18 a 25 de setembro 2026
UCB • Memo UnB • Cine Brasília
Brasília - DF

Comissão organizadora
Yudith Rosenbaum (Coordenação / USP)
Cleusa Rios P. Passos (Coordenação / USP)
Leandro Bessa (Coordenação / UCB)
Ana Saggese (UnB)
Cristina Gomide Maciel (UnB)
Mariana Keller (Sorbonne Université/USP)
Pamela Zacharias (USP)
Rafael Rocca (Universidade de Leipzig)
Rhaysa Novakoski Carvalho (UnB/UCB)
Paulo Alziro Schnor (UnB)

Projeto e design gráfico
Mariana Keller e Leandro Bessa

Tipografia
Guilherme Portela Ramalho

Ilustrações
Michel Riaudel

Cobertura e transmissão audiovisual
Ara Filmes

Site Design
Isadora Gomide

Redes Sociais
Cajuí Collab

Exposição Virtual (Iniciação Científica - IC)
Ana Júlia Costa
Noemi Potí (apoio oficinas)
Rafaela Mendonça Amâncio

Organização e Realização

Apoio